Um estudo publicado no Journal of Applied Psychology traz um achado importante para empresas, lideranças e equipes de SESMT: liderança ética não compensa supervisão abusiva.
A pesquisa analisou o chamado efeito “Jekyll and Hyde”, quando um líder alterna entre comportamentos éticos e práticas abusivas. O resultado chama atenção: colaboradores expostos a essa oscilação podem apresentar maior exaustão emocional do que aqueles submetidos a um padrão constante de abuso.

A explicação está na incerteza. Quando o comportamento da liderança muda de forma imprevisível, o colaborador passa a viver em estado de alerta, tentando interpretar qual “versão” do líder encontrará. Essa dúvida sobre justiça, segurança e previsibilidade consome recursos psicológicos importantes e amplia o impacto sobre a saúde mental.

O estudo também aponta um efeito vicário: mesmo colaboradores que apenas observam essa inconsistência entre lideranças podem apresentar aumento de exaustão, ainda que não sejam alvo direto do comportamento abusivo. Na prática, os desdobramentos vão além do bem-estar individual. Eles podem impactar desempenho, engajamento, clima organizacional, confiança nas lideranças e comportamentos dentro da empresa. 

O que isso significa para a gestão de riscos psicossociais? 
No contexto da NR-1 e da Portaria MTE nº 1.419/2024, esse tema reforça um ponto essencial: treinamentos genéricos de liderança não resolvem riscos psicossociais sem diagnóstico técnico.Um exemplo concreto está na análise dos fatores psicossociais relacionados a suporte, papel, demandas e trabalho emocionalmente exigente.

Quando uma liderança apresenta baixa percepção de suporte da própria cadeia hierárquica, isso pode indicar uma lacuna estrutural que antecede comportamentos inconsistentes, sobrecarga e conflitos na gestão das equipes.
Ou seja: o problema nem sempre está apenas no comportamento individual do líder. Muitas vezes, está na estrutura que sustenta aquele comportamento.Treinamento comportamental pode apoiar o desenvolvimento da liderança.

Mas redesenho de suporte, carga de trabalho, clareza de papel e fluxos de gestão atua na causa raiz.

No Zenith Saúde Mental, partimos desse princípio: riscos psicossociais precisam ser identificados, classificados e geridos com base técnica, dados e rastreabilidade.Porque saúde mental corporativa não se resolve apenas tratando sintomas.

Se resolve entendendo e atuando sobre as causas que produzem estresse organizacional.

Zenith Saúde Mental
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